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Fogachos sem hormônio: as opções que existem hoje

Para quem não pode ou não quer usar terapia hormonal, surgiram nos últimos anos medicamentos com mecanismo específico para as ondas de calor. O que os ensaios mostram.

3 min de leitura

Ondas de calor, calorões, fogachos. Tecnicamente, sintomas vasomotores. Para quem convive com eles várias vezes ao dia e à noite, é o sintoma que mais compromete sono, concentração e humor.

A terapia hormonal segue sendo o tratamento mais eficaz para esses sintomas. Mas existem mulheres que não podem usar, por contraindicação, e existem mulheres que simplesmente preferem não usar. Até pouco tempo, as alternativas eram limitadas e pouco específicas.

Isso mudou.

O mecanismo por trás dos fogachos

A queda do estrogênio afeta um grupo de neurônios no hipotálamo envolvidos na regulação da temperatura corporal, os chamados neurônios KNDy. Sem o freio estrogênico, a sinalização por neurocinina nesses neurônios fica aumentada, e o centro termorregulador passa a disparar respostas de dissipação de calor de forma inadequada.

É daí que vem a sensação súbita de calor, o rubor e a sudorese.

Entender esse mecanismo permitiu desenvolver medicamentos que agem exatamente nesse ponto, em vez de agir por vias indiretas.

O que existe hoje

Fezolinetante. Antagonista do receptor de neurocinina 3 (NK3), aprovado pelo FDA em 2023. Sua eficácia foi estabelecida nos ensaios de fase III SKYLIGHT 1 e SKYLIGHT 2, com o SKYLIGHT 4 avaliando segurança a longo prazo, um conjunto que somou cerca de 2.800 mulheres na pós-menopausa com fogachos moderados a graves. Os dados mostraram redução estatisticamente significativa na frequência e na intensidade dos fogachos em relação ao placebo, já observável em 4 semanas e mantida em 12 semanas.

Elinzanetante. Antagonista duplo, de receptores NK3 e NK1, aprovado pelo FDA em 2025. Os ensaios OASIS 1 e OASIS 2 mostraram redução significativa da frequência dos sintomas vasomotores em relação ao placebo, também com efeito já presente em 4 semanas.

O bloqueio adicional de NK1 é relevante porque essa via está associada também a distúrbios do sono, o que pode ser útil em quem tem fogacho noturno com fragmentação do sono.

O que considerar antes

Nenhum medicamento é isento. O fezolinetante exige monitoramento de função hepática, e ambos têm perfil de interações e contraindicações que precisam ser avaliados individualmente. Disponibilidade e regulamentação também variam entre países, o que faz parte da conversa clínica.

Além dos medicamentos específicos, seguem tendo papel: manejo de gatilhos (álcool, cafeína, ambientes quentes), atenção ao sono, controle de peso e, em casos selecionados, outras classes farmacológicas já utilizadas há mais tempo para esse fim.

Como decidir

A escolha entre terapia hormonal, tratamento não hormonal específico ou outras abordagens depende de contraindicações, intensidade dos sintomas, tempo de menopausa, preferências e do que mais está acontecendo naquele organismo.

Não existe resposta padrão, e a boa notícia é que hoje existem opções reais para quem antes ouvia apenas "é uma fase, vai passar".

Se os fogachos estão comprometendo o seu sono e o seu dia, agende uma consulta para avaliarmos qual caminho faz sentido no seu caso.

Cada paciente deve ser avaliada individualmente. Nenhum medicamento deve ser iniciado sem prescrição e acompanhamento médico.

Dr. Pedro Antônio de Paula de Pauli · CRM/SP 254.273

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O conteúdo acima é educativo e não substitui a consulta médica.