Ondas de calor, calorões, fogachos. Tecnicamente, sintomas vasomotores. Para quem convive com eles várias vezes ao dia e à noite, é o sintoma que mais compromete sono, concentração e humor.
A terapia hormonal segue sendo o tratamento mais eficaz para esses sintomas. Mas existem mulheres que não podem usar, por contraindicação, e existem mulheres que simplesmente preferem não usar. Até pouco tempo, as alternativas eram limitadas e pouco específicas.
Isso mudou.
O mecanismo por trás dos fogachos
A queda do estrogênio afeta um grupo de neurônios no hipotálamo envolvidos na regulação da temperatura corporal, os chamados neurônios KNDy. Sem o freio estrogênico, a sinalização por neurocinina nesses neurônios fica aumentada, e o centro termorregulador passa a disparar respostas de dissipação de calor de forma inadequada.
É daí que vem a sensação súbita de calor, o rubor e a sudorese.
Entender esse mecanismo permitiu desenvolver medicamentos que agem exatamente nesse ponto, em vez de agir por vias indiretas.
O que existe hoje
Fezolinetante. Antagonista do receptor de neurocinina 3 (NK3), aprovado pelo FDA em 2023. Sua eficácia foi estabelecida nos ensaios de fase III SKYLIGHT 1 e SKYLIGHT 2, com o SKYLIGHT 4 avaliando segurança a longo prazo, um conjunto que somou cerca de 2.800 mulheres na pós-menopausa com fogachos moderados a graves. Os dados mostraram redução estatisticamente significativa na frequência e na intensidade dos fogachos em relação ao placebo, já observável em 4 semanas e mantida em 12 semanas.
Elinzanetante. Antagonista duplo, de receptores NK3 e NK1, aprovado pelo FDA em 2025. Os ensaios OASIS 1 e OASIS 2 mostraram redução significativa da frequência dos sintomas vasomotores em relação ao placebo, também com efeito já presente em 4 semanas.
O bloqueio adicional de NK1 é relevante porque essa via está associada também a distúrbios do sono, o que pode ser útil em quem tem fogacho noturno com fragmentação do sono.
O que considerar antes
Nenhum medicamento é isento. O fezolinetante exige monitoramento de função hepática, e ambos têm perfil de interações e contraindicações que precisam ser avaliados individualmente. Disponibilidade e regulamentação também variam entre países, o que faz parte da conversa clínica.
Além dos medicamentos específicos, seguem tendo papel: manejo de gatilhos (álcool, cafeína, ambientes quentes), atenção ao sono, controle de peso e, em casos selecionados, outras classes farmacológicas já utilizadas há mais tempo para esse fim.
Como decidir
A escolha entre terapia hormonal, tratamento não hormonal específico ou outras abordagens depende de contraindicações, intensidade dos sintomas, tempo de menopausa, preferências e do que mais está acontecendo naquele organismo.
Não existe resposta padrão, e a boa notícia é que hoje existem opções reais para quem antes ouvia apenas "é uma fase, vai passar".
Se os fogachos estão comprometendo o seu sono e o seu dia, agende uma consulta para avaliarmos qual caminho faz sentido no seu caso.
Cada paciente deve ser avaliada individualmente. Nenhum medicamento deve ser iniciado sem prescrição e acompanhamento médico.
Dr. Pedro Antônio de Paula de Pauli · CRM/SP 254.273
